Fazendo as honras da casa, me coloquei no papel de guia de Claudia e Val. Como é véspera da virada de ano, decidem as gurias que não é bom fazer nenhuma trilha pesada. Querem se guardar pra meia-noite, tais quais cinderelas já um pouco passadas, entretanto. Solamente um passeiozinho leve. Então pr
oponho conhecermos uma cachoeira, a Magia das Águas, localizada no parque da pousada de mesmo nome. E lá vamos nós! O lugar fora atingido pela enchente de março e apresentava-se diferente da última vez em que lá estivera. Um estrago só a terrível enxurrada fez em Praia Grande, no início do ano, desfigurando em muito a paisagem. O sol a mil, e as gurias, nem aí, aproveitam com gana as reentrância das rochas, deixando-se massegear pela correnteza do rio. Bom demais, gritam elas! De repente, o céu tolda-se de muitas nuvens. Pegamos as mochilas e batemos em retirada. Quando estamos quase alcançando a estrada principal, a chuva despenca com força total. Buscamos refúgio em um abrigo de ônibus e lá ficamos sentadas esperando a chuva amainar. Resolvo pedir carona prum fiatezinho que passa sem pressa. O motorista nos dá carona até o supermercado Magagnin de onde podíamos telefonar e pedir que alguém da pousada viesse nos buscar. Não demorou muito, João Paulo veio nos resgatar e lá subimos nós a serra do Faxinal em direção à Colina da Serra. Coisa boa o verão, passada meia hora o sol volta a reinar num céu limpo e sereno. Dentre as muitas pousadas em Praia Grande – e conheço várias -, essa é a bambambam! Talvez porque tenham se criado ao longo dos anos que venho me hospedando aqui, laços de amizade entre mim e seus donos, Maria e Paulo. Maria é um caso à parte: dona de um senso de humor afiado me diverte com suas observações irônicas. Além do mais suas comidinhas caseiras são muiiiitooo apetitosas, destacando-se o bolinho de arroz que, invariavelmente, requisito quando chego. Já Paulo, o Pauleca, “o nosso marido”, como brinco com Maria, é uma pata choca com os filhos, trata Mariana, de 17 e João Paulo, de 25, como se ainda fossem bebezinhos. Adoro ficar na cozinha, fumando um cigarrinho e bebericando as cachacinhas preparadas com frutas variadas. A de amorinha está louca de especial e me s
irvo de outro copinho enquanto tagarelamos alegremente. Quase não vejo Maria parada, quando não está preparando comidas para os hóspedes, está ajeitando as cabanas – em número de seis – ou então lavando roupa. Não pára essa mulher, que máquina, incrível sua disposição!! E hoje então a azáfama é intensa pois os preparativos da ceia estão a milhão. Sua simpática sobrinha, Mara, veio de Sombrio pra ajudá-la e prepara, conforme indicações precisas de Mariazinha, uma mousse de morango dentre as muitas sobremesas do cardápio. O lombinho exala um odor picante de bons temperos e a tradicional lentilha borbulha cheirosa sobre o fogão a lenha. Me sinto em casa, bem à vontade e adio o quanto posso minha ida à cabana. Mas, enfim, crio coragem e deixo aquele aconchego todo. É necessário tomar banho e me enfeitar para a festa. A ceia é servida às 22:30 horas e na mesa comprida os hóspedes sentam-se depois de se servirem fartamente dos quitutes colocados sobre o bufê. Quando a meia-noite junta os ponteiros no relógio, rumamos pra colina: dali dá pra se enxergar os fogos de artifício que espocam em Torres, praia gaúcha situada a pouco mais de 40 km de Praia Grande. Os lindos desenhos coloridos arrancam exclamações de alegria de todos nós. E graças a deus, ninguém fica se abraçando, beijando e desejando feliz ano novo. Suspiro de alívio...ufaaaa....ainda bem!!! Isso talvez se deva porque a maioria das pessoas são hóspedes e mal se conhecem. O céu estrelado prenuncia bom tempo para o dia seguinte. Fico feliz já que farei canionismo com Caloca no Rapel do Café. Oxalá permaneça bom o clima! Já estou sentindo aquele friozinho na barriga só em pensar que amanhã, ou melhor, hoje, afinal já é uma da madrugada, vou estar descendo doze cachoeiras!!! Coisa boa tudo isso!!!
oponho conhecermos uma cachoeira, a Magia das Águas, localizada no parque da pousada de mesmo nome. E lá vamos nós! O lugar fora atingido pela enchente de março e apresentava-se diferente da última vez em que lá estivera. Um estrago só a terrível enxurrada fez em Praia Grande, no início do ano, desfigurando em muito a paisagem. O sol a mil, e as gurias, nem aí, aproveitam com gana as reentrância das rochas, deixando-se massegear pela correnteza do rio. Bom demais, gritam elas! De repente, o céu tolda-se de muitas nuvens. Pegamos as mochilas e batemos em retirada. Quando estamos quase alcançando a estrada principal, a chuva despenca com força total. Buscamos refúgio em um abrigo de ônibus e lá ficamos sentadas esperando a chuva amainar. Resolvo pedir carona prum fiatezinho que passa sem pressa. O motorista nos dá carona até o supermercado Magagnin de onde podíamos telefonar e pedir que alguém da pousada viesse nos buscar. Não demorou muito, João Paulo veio nos resgatar e lá subimos nós a serra do Faxinal em direção à Colina da Serra. Coisa boa o verão, passada meia hora o sol volta a reinar num céu limpo e sereno. Dentre as muitas pousadas em Praia Grande – e conheço várias -, essa é a bambambam! Talvez porque tenham se criado ao longo dos anos que venho me hospedando aqui, laços de amizade entre mim e seus donos, Maria e Paulo. Maria é um caso à parte: dona de um senso de humor afiado me diverte com suas observações irônicas. Além do mais suas comidinhas caseiras são muiiiitooo apetitosas, destacando-se o bolinho de arroz que, invariavelmente, requisito quando chego. Já Paulo, o Pauleca, “o nosso marido”, como brinco com Maria, é uma pata choca com os filhos, trata Mariana, de 17 e João Paulo, de 25, como se ainda fossem bebezinhos. Adoro ficar na cozinha, fumando um cigarrinho e bebericando as cachacinhas preparadas com frutas variadas. A de amorinha está louca de especial e me s
irvo de outro copinho enquanto tagarelamos alegremente. Quase não vejo Maria parada, quando não está preparando comidas para os hóspedes, está ajeitando as cabanas – em número de seis – ou então lavando roupa. Não pára essa mulher, que máquina, incrível sua disposição!! E hoje então a azáfama é intensa pois os preparativos da ceia estão a milhão. Sua simpática sobrinha, Mara, veio de Sombrio pra ajudá-la e prepara, conforme indicações precisas de Mariazinha, uma mousse de morango dentre as muitas sobremesas do cardápio. O lombinho exala um odor picante de bons temperos e a tradicional lentilha borbulha cheirosa sobre o fogão a lenha. Me sinto em casa, bem à vontade e adio o quanto posso minha ida à cabana. Mas, enfim, crio coragem e deixo aquele aconchego todo. É necessário tomar banho e me enfeitar para a festa. A ceia é servida às 22:30 horas e na mesa comprida os hóspedes sentam-se depois de se servirem fartamente dos quitutes colocados sobre o bufê. Quando a meia-noite junta os ponteiros no relógio, rumamos pra colina: dali dá pra se enxergar os fogos de artifício que espocam em Torres, praia gaúcha situada a pouco mais de 40 km de Praia Grande. Os lindos desenhos coloridos arrancam exclamações de alegria de todos nós. E graças a deus, ninguém fica se abraçando, beijando e desejando feliz ano novo. Suspiro de alívio...ufaaaa....ainda bem!!! Isso talvez se deva porque a maioria das pessoas são hóspedes e mal se conhecem. O céu estrelado prenuncia bom tempo para o dia seguinte. Fico feliz já que farei canionismo com Caloca no Rapel do Café. Oxalá permaneça bom o clima! Já estou sentindo aquele friozinho na barriga só em pensar que amanhã, ou melhor, hoje, afinal já é uma da madrugada, vou estar descendo doze cachoeiras!!! Coisa boa tudo isso!!!.bmp)

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Já da segunda trilha, alcunhada de Vértice, vislumbram-se as cachoeiras das Andorinhas e a do Véu de Noiva. As belíssimas quedas d'água apresentam-se volumosas para encantamento dos turistas. Há uma boa infraestrutura no parque com lanchonete e mesas ao ar livre pra quem quiser fazer um piquenique. Deixamos o parque pra trás e continuamos a subir a serra chegando então a Cambará de onde uma estradinha com pouco mais de 20 km nos conduz ao canyon Fortaleza, com quase 8 km de extensão, situado no Parque Nacional da Serra Geral. A trilha, bem demarcada, permite admirar o esplêndido canion e uma de suas cachoeiras, a Fortaleza, que despenca de seu paredão sul numa vertiginosa e volumosa queda d’água. Caso o tempo permita, consegue-se até avistar o litoral distante pouco mais de 40 km. Entretanto, tal visão nos é furtada porque a visibilidade não é lá das melhores. O céu continua nublado, rapidamente a massa cinzenta transforma-se em pesadas e baixas nuvens pretas, raios ao longe riscam o céu de prateado. Trovões metralham o silêncio da tarde. Nuvens velozes saem do interior do canion formando um cenário de filme americano, gênero catástrofe. Eu, embasbacada diante de tal espetáculo, saco ávida minha câmera do bolso da bermuda e passo a filmar antes que a chuva finalmente caia em pingos grossos e cortantes. O vento me empurra pra frente, eu me vejo entre assustada e deslumbrada com tal manifestação selvagem da natureza. Molhada até os ossos sinto na pele a chuva me vergastar avidamente. Nem dou bola. Estou como o diabo gosta, hahahahaha!!! Passados 15 minutos, .bmp)